Análise do pré-projeto. (Wily Oliveira)
Título do projeto: Etnocenologia e Relações Etnico-Raciais no Bloco de Carnaval de Rua da Periferia do DF.
Análise
do pré-projeto.
1-
questão bibliográfica- Impacto das novas ferramentas de busca e de análise de
tese/disser para pesquisa.
As novas ferramentas de pesquisa me possibilitaram uma amplitude de buscas a respeito das temáticas que viso aprofundar no meu pré-projeto. Consegui perceber uma vasta bibliografia de teses, dissertações e artigos sobre carnaval e relações étnico-raciais. É notório que a maioria das pesquisas sobre o carnaval estão, em boa parte, voltadas às escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Fiz uma busca direta nos repositórios de teses e dissertações da UnB, UFPA e UFBA e nas dissertações que analisei há uma consonância entre os referências teóricos da história do carnaval, aos quais pesquisei após lê-las.
Em uma das buscas gerais que fiz no Google Acadêmico, encontrei um artigo que percebo como fundamental para a minha pesquisa: O Black Face no Carnaval Brasileiro e a Legitimação do Racismo, de Alana Carla Herculano de Oliveira e Kennedy Felipe Alves da Silva. Ambos pesquisadores da área da história. Eles abordam nesse estudo o racismo recreativo presente e velado durante o período carnavalesco, incutido no uso de fantasias preconceituosas e marchinhas que ofendem a identidade e cultura negra. Será fundamental o diálogo com esses autores para a análise das entrevistas. Os mesmos autores trazem referenciais importantes sobre carnaval e relações étnico raciais.
Dentre
os referenciais teóricos já elencados em meu pré-projeto, cito adiante algumas
referências bibliográficas que viso acrescentar em meus estudos sobre o
carnaval
DA MATTA, Roberto. O Universo
do Carnaval: imagens e reflexões. Rio de Janeiro:
Pinakotheke,1981.
_____. Carnavais, malandros e heróis. Rio de
Janeiro: Rocco, 1997.
DINIZ, André. Almanaque do
Carnaval: O quê ouvir? O que Lêr? Onde Curtir. Rio de
Janeiro: Zahar, 2008.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de.
Carnaval brasileiro: O vivido e o mito. São Paulo:
Brasiliense, 1992.
SANTA BRÍGIDA, Miguel de. O
maior espetáculo da Terra: O desfile das escolas de
samba do Rio de Janeiro como cena
contemporânea da Sapucaí. 2006. 249 f. Tese
(Doutorado) - Curso de Programa
de Pós-graduação em Artes Cênicas, Escola de Dança e
Escola de Teatro, Universidade Federal da Bahia,
Salvador, 2006.
Alana Carla Herculano de Oliveira e
Kennedy Felipe Alves da Silva. Das Amazônias/ revista deiscente de história da
UFACISSN:2674-5968. Das Amazônias, Rio Branco – Acre, v.3, n1, (jan-jul) 2020,
p. 04-15
CUNHA, Maria Clementina Pereira
(org.). Apresentação. In: CUNHA, M. C. Pereira.
Carnavais e
outras F(r)estas. Campinas:
Editora Unicamp. 2002. p.11-23.
_________. Ecos da Folia: uma
história social do Carnaval carioca entre 1880 e
1920.
SP:
Companhia das Letras.2001.
LAZZARI, Alexandre. Coisas
para o povo não fazer: carnaval em Porto Alegre
(1870-1915).
SP: Editora da Unicamp/Cecult, 2001.
BRANDÃO,
Carlos Rodrigues. A cultura na rua. Campinas, SP: Papirus, 1989.
SIMAS, Luiz Antônio. O Corpo Encantado das Ruas. [recurso eletrônico] / Luiz Ântônio Simas. 1. Ed. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira – 2019.
Além desses referenciais citados a priori, vale ressaltar a minha satisfação ao ler duas dissertações de historiadores da Universidade de Brasília. Uma sobre o bloco Pacotão e outra sobre a Assossiação Recrativa cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC). Achei bastante interessante a densidade das análises descritivas e as organizações documentais desses fenômenos expressivos.
Enfim, conhecer outros carnavais, outras pesquisas que envolvem o mesmo tema, aumentou a minha percepção histórica sobre o carnaval e o contexto ao qual me encontro atualmente, como organizador de um movimento coletivo carnavalesco contemporâneo da periferia. As referências me abriram espaços de discussões mais enriquecedoras na minha pesquisa, a partir do reconhecimento das similaridades e diferenças entre o que faço e como faço e o que os Outros fazem e como fazem.
2- questão
metodológica- como você vai fazer sua
pesquisas, interrogando seu objeto.
questionário. vídeos, etc. Programar atividades.
Metodologia
Meu pré-projeto de pesquisa, tem
abordagem qualitativa, e orienta-se pela pesquisa-ação como metodologia, que
assume perspectiva participativa e cooperativa entre pesquisador e atores sociais.
Sendo ambos sujeitos da pesquisa que constituem o determinado fenômeno
espetacular.
Partimos de uma perspectiva interna do grupo onde as
propostas levantadas pelo pesquisador, estará em diálogo com a opinião dos
participantes, que poderão intervir sobre as propostas de ação que vierem a ser
levantadas. Assim, a pesquisa não se dará em uma lógica verticalizada onde o
pesquisador assume uma posição hierárquica, mas sim, em uma integração afetiva,
interativa, dialógica e comprometida com o coletivo na transformação da
realidade.
Compreende-se nesse caminho
metodológico que a reflexão e a prática são articuladas de maneira planejada
através de ciclos, que se iniciam em processos reflexivos de reconhecimento da
situação atual que determinado grupo se insere, para haver um melhor
planejamento das ações. Por seguinte, avalia-se os efeitos gerados por elas,
refletindo continuamente sobre problemas e soluções que possam favorecer
mudanças para a melhoria das práticas (TRIPP, 2005).
Plano de Trabalho
Diante do exposto, o trabalho
acontecerá em cinco ciclos: a) Será feito o estado da arte dos estudos da
Etnocenologia e das Relações Étnico-Raciais; b) Organização do histórico de
constituição do bloco; c) Analise dos
objetos/produções artísticas desenvolvidas pelo bloco;
d) Perceber o diálogo entre as espetacularidades e as relações étnico-raciais
na estética do fenômeno espetacular em questão; e) Identificação de como o
bloco se inscreve nos subgrupos das Práticas e
Comportamentos Humanos Espetaculares Organizado (PCHEO).
Na primeira etapa realizarei o estado da arte dos estudos do
campo da Etnocenologia e das Relações Étnico-Raciais através de referenciais teóricos, tendo por interesse
agregá-los à compreensão da alteridade, na perspectiva da valorização dos
conhecimentos, existências, produções dos sujeitos que compõe, fazem e pensam o
bloco pesquisado. Essa busca poderá abrir diversas percepções durante a
aprendizagem na pesquisa, considerando as epistemes que incorporam o fenômeno
espetacular em questão. Isso pode nos trazer perspectivas inclusivas,
pluralismos de ideias, especialmente, no campo acadêmico, de modo a valorizar
saberes e conhecimentos periféricos, negros, quilombolas, de movimentos e
coletivos contra hegemônicos e antirracistas.
Na
segunda etapa, a organização do histórico será esboçada pelo pesquisador, que
levará ao grupo como proposta, para ser discutida e construída coletivamente.
Nesse sentido, serão articuladas, como sugestão vinda dessa pesquisa ao bloco,
rodas de conversa, exposições de imagens fotográficas e vídeos, que serão
apresentadas através de projeções de slides, de todas as edições do
“Vai-Quem-Quer”, para estimular memórias e inspirações para a elaboração da
escrita conjunta. Nessa etapa será necessário: recolhimento de imagens e vídeos
e recursos tecnológicos, tais quais, computador, Projetor e caixa de som.
Na terceira etapa, será feito o levantamento dos
objetos/produções artísticas do bloco, para analisarmos o que estamos
comunicando através desses elementos, a história que caracterizou/caracteriza a
maneira como expressamos nossas ideias e sentimentos nas composições musicais,
visuais e cênicas, bem como as inspirações que contribuíram/contribuem na
identidade estética do bloco. Aqui serão realizadas entrevistas
semiestruturadas com o grupo, filmagens e registros em diário de bordo.
Na quarta etapa, iremos aproveitar a coleta de dados do
objetivo anterior, para ajudar-nos a perceber os fios de diálogo entre as
espetacularidades e as relações étnico-raciais que tecem a identidade estética
do bloco. Para tal fim, faremos rodas de estudos sobre as Relações Étnico-Raciais
(branquitude, racismo estrutural, epistemológico e no âmbito de poder da
sociedade, especialmente, na cidade ocidental) para refletirmos, nossas
produções artísticas que trazem representatividades e o empoderamento negro e,
também, nossas relações interpessoais. Durante esse processo realizarei
gravações das rodas de conversas e anotações. Além disso, antes e depois do
ciclo de encontros, realizarei entrevistas semiestruturadas com os
fazedores-pensadores envolvidos no bloco, tendo por intenção uma análise
comparativa das narrativas existentes antes e depois das discursões sobre as
Relações Étnico-Raciais.
Por
fim, no último ciclo, paralelamente aos encontros, diálogos, entrevistas, será
feita a observação dos processos criativos e do
acontecimento da festa na avenida, seguida de anotações em diário de bordo,
onde será expresso numa perspectiva etnocenológica, percepções sensoriais e
estéticas, buscando identificar a transitoriedade do fenômeno espetacular pelos
três subgrupos da PCHEO, propostos por Armindo Bião. Feito isso, farei a
proposta de apresentar ao bloco minhas percepções sobre os aspectos
espetaculares que incorporam o bloco, afim de discutirmos,
reflexiva-criticamente as contribuições que isso pode trazer para o grupo.
3-
inquietações, coisas definir, possibilidades.
Percebo que apesar do constante movimento de pesquisa bibliográfica que estou fazendo, tenho alguns desafios de aprendizagem na concatenação de ideias e conceitos para estabelecer os diálogos e análises na dissertação.
Tenho consciência que é um processo de aprendizagem e que isso está sendo
superado a medida que vou fazendo leituras e fichamentos.
Preciso melhor definir, ainda, os conceitos chave para cada
capítulo da minha dissertação.
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