MEIMEI BASTOS - ENTREVISTA EMERSON ALCALDE
Emerson Alcalde é co-fundador do Slam da Guilhermina e mestre de cerimônia no SÓFÁLÁ - Red Bull Station, Madalena Slam Jazz, Torneio dos Slams - Encontro Estéticas das Periferias, Slam Nacional em Dupla FPA e Slam Interescolar SP.
ENTREVISTA
MEIMEI BASTOS - ENTREVISTA EMERSON ALCALDE
MEIMEI:
Agora que estamos oficialmente em entrevista quero agradecer mais uma vez por você ter topado esse compartilhamento comigo. Quando surgiu essa provocação na disciplina de Metodologia logo eu pensei em você, porque durante a minha pesquisa para o TCC e para a criação do projeto do mestrado eu fui tateando a partir de materiais que você compartilhou comigo. Não sei se você recorda que em 2018 a gente tava junto com um projeto aqui. Aí eu mencionei para você o desejo de pesquisar e aprofundar sobre o Slam e a vontade de levar as discussões e as práticas do Slam para academia. Foi a partir desses materiais, que você compartilhou comigo que iniciei minha pesquisa. Eu assisti uma oficina que você deu para um projeto aí de São Paulo e eu fiquei impressionada. Acho até que comentei contigo depois, eu te falei: p****, véi, assisti a a parada e pensei: o cara sabe muito, pesquisou muito. Aí, quando surgiu a proposta na disciplina, falei: velho, eu vou entrevistar o Emerson! Porque eu sei que ali é uma fonte, que é alguém que eu posso cavucar que vou encontrar material. Queria super agradecer. É uma alegria. Fiquei muito contente. Uma honra ter você para compartilhar isso comigo. A sua disponibilidade, disposição de sempre trocar. Aí, muito obrigada de verdade! Vai ficar registrado, aqui, para posteriori, a minha gratidão. Dividi a entrevista assim: queria que você falasse um pouco da sua trajetória pessoal. Sei que você é formado em artes cênicas. Conta um pouco da sua construção enquanto autor. Você tem um livro, um romance publicado, tem livros de poesia... Queria que você falasse um pouco da sua trajetória artística, pessoal. Enfim, Fala de onde você vem, sua quebrada, teu rolê em São Paulo.
EMERSON:
Nasci num bairro chamado Cangaíba que pertence ao Distrito da Penha na Zona Leste São Paulo. Morei um tempo em outra cidade chamada Itaquaquecetuba e hoje eu vivo na Cohab 1 Conjunto Habitacional Popular aqui também na zona leste do lado de Itaquera do estado do Corinthians. Eu vivo aqui há cinco anos, né. Iniciei na cultura através do hip hop eu queria ser DJ, gostava muito disso. Entrei no grupo de rap com 18 anos. Ganhei uma bolsa de estudos para fazer uma faculdade. Na real eu queria fazer Letras mas não tinha curso de letras na faculdade particular. Aí eu escolhi o curso de Teatro.
Fiz várias peças na faculdade, produções comerciais... Mas uma hora não me identifiquei mais com alguns em projetos que não diziam o que eu queria falar. Eu pensava: não tô ganhando dinheiro, não tô falando o que eu quero, não estou experimentando a linguagem que eu acho interessante. Aí eu sai fora assim.
Criei dois espetáculos que foi para mim um divisor de águas. Tenho um infantil, O boneco do Marcinho, que era uma história de um boneco que conta a história de um menino. É o boneco sozinho, abandonado, contando como foi a vivência dele com o menino. Apresentei esse espetáculo durante cinco anos nas quebradas. Era bonito de ver, rap, poesia no meio.
MEIMEI – COMO FOI SEU PRIMEIRO CONTATO COM O SLAM?
EMERSON: Eu conheci uma menina que ela foi fazer estágio no grupo de teatro no Bartolomeu de depoimentos no Zap. Aí, ela foi lá e ela mandou o e-mail para mim dizendo: o campeonato de poesia é a sua cara! É a junção do teatro, o hip-hop. Você tem que vir. Traz três poesias e poemas. Eu nem sabia o que era. E aí cheguei lá e era a primeira noite do. Peguei uns texto do espetáculo e falei. Não passei de fase, mas eu já gostei. Eu acho que aqui é um lugar que tem público, tem gente interessado em ver e era do teatro então eram pessoas próximas a mim também.
MEIMEI : QUANDO E COMO SURGE O SLAM DA GUILHERMINA?
EMERSON: Uma garota chamada Cristina. Ai que linda! Morava no bairro da Guilhermina. Um dia, atravessando a estação vi uma praça. Tinha um tempo que eu queria iniciar um Slam, mas não sabia onde. Quando olhei a praça, pensei: É aqui! Ela tem uma passarela, aí termina assim de um caminhãozinho e uma descida que forma um círculo que tem uma árvore no meio, os banquinhos atrás, um morro... assim de grama ia passar aqui da galera que tem lotação falei vai ser aqui. Divulguei no saraus, no Zap, na Batalha. Foi um sucesso!!
MEIMEI – COMO FUNCIONA O INTERESCOLAR?
EMERSON: Quando eu fui para a França em 2014 eu ganhei 2013 a final aqui foi disputar o mundial a França e ele primeiro dia do campeonato é interescolar deles. Eu sabia que existia, mas eu não tinha visto. Aí eu vi e achei Fantástico. Crianças falando poesias. A Cristina também tava lá junto e pilhou de fazer no Brasil. Ela é professora e dava aula para o Colégio La Salle, colégio católico próximo da Guilhermina. Peguei uma experiência em Ilhas Maurício África que é o vídeo mais legal tem que a molecadinha falando poesia e pá. Durante meses fazendo esse processo com sala por sala e aí tirei a ideia de fazer a escola dela versus a minha. Começou assim. Agora tamo organizando o Estadual com mais de 120 escolas e proporcionando formação paro os poetas e professores. É um negócio bem lindo, mesmo.

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