Entrevista com Vanderlei Costa por Magno Assis

Vandelei Costa Nascido em 1977, Patos de Minas, Iniciou atividades artísticas em Brasília no ano de 2008. Atuou em mais de uma dezena de filmes entre curtas e longas. Participa de vídeo-clips, vídeo-arte, vídeo-poemas, além de ser figurinista. Atuou como performer com o grupo Corpos Informáticos da UnB. É poeta publicou poemas em jornais, revistas, coletâneas impressas e virtuais. É integrante do coletivo anarco-poético. Mantem parcerias em prformances musicais com diversos músicos,sendo as mais frequentes com a banda Talo de Manona, ZéVitim e Karla Testa. No teatro, protagonizou monólogos, e encenações em grupo. Participa ativamente de blocos carnavalescos de rua. É autor do livro Subsoloamarelo. Link da entrevista, que foi gravada em vídeo por celular: https://photos.app.goo.gl/9J522KBULboGQiu67 Segue transcrição da entrevista: Magno: Vanderlei Costa fale sobre você, quem é você? Esta pergunta estimulou Vanderlei a falar sobre o seu processo diário de investigação pessoal.Começou a relatar sua vida familiar e sua interação com o meio rural de Patos de Minas-MG, no qual viveu durante a infância até os 12 anos de idade. Relatou sobre aspectos lúdicos e livres das coisas simples da roça. Tratava-se de uma criança inventiva, criativa e interativa com os animais, plantas e numa relação de diálogo e respeito com a natureza, se expressava com o que encontrava no caminho bucólico da vegetação do cerrado e vislumbrava o meio urbano a partir de suas invenções criativas infantis.Intuitivamente e sem recursos financeiros, desenhava com carvão de fogueiras nas tábuas do curral, já experimentando grafismos, modelando ao modo infantil coisas da cidade e dos adultos, como toda criança, brincava com o seu mundo paralelo inventando carnavais na companhia das duas irmãs, criando cidades, viadutos, elevadores, prédios em seu imaginário de menino criado na roça. Vanderlei: “Já que eu não moro na cidade, eu inventei uma cidade, e aí essa cidade era do meu imaginário, de pegar estradas e virar avenidas, trilhas de vacas viram ruas,árvores eu fazia prédios, mentalmente né? Os troncos eram tipo elevador, ficava subindo, eram os galhos dividindo os andares, bambos viravam catedrais góticas, viagem, eu viajava muito nisso.” A interação com o meio rural e posteriormente com o meio urbano vocacionou Vanderlei a estudar arquitetura, como não podia, provavelmente devido às condições financeiras, se empenhou a fazer um curso de Técnico em Edificações, estimulado pelas vivências lúdicas infantis naquela pequena cidade do interior de Minas Gerais, criando intuitivamente instalações de pequenas cidades, utilizando-se de cacos de vidro e tocos de madeira para montar sua cidade urbana, neste período já morando na área urbana de Patos de Minas, vislumbrando seu sonho de ir para uma metrópole como Belo Horizonte ou São Paulo. Aos 23 anos mudou-se para Brasília,nãoimaginava mudar para uma cidade bucólica como a Capital Federal. Rapidamente se adaptou, estudou música na Casa do Ceará que lhe proporcionou base em teoria musical, que o ajudou na compreensão da música e partitura. Trabalhou em diversos empregos temporários: vendedor de loja de música, livrarias e restaurantes, sendo que em um bistrô, no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Vanderlei conheceu artistas e produtores de cinema que desencadeou numa série de participações em filmes produzidos na cidade, passando desde então a trabalhar em diversos curtas como figurinista e ator.Com Sua determinação em se expressar corporalmente e utilizar do corpo como ferramenta expressiva, começou a desenvolver performances utilizando como veio condutor das ações suas poesias autorais, utilizando-se de materiais expressivos, recicláveis para confecção de figurinos a partir de jornais impressos moldados no corpo se misturando com o meio social, promovendo poiéticas que afetavam curadores e realizadores de projetos de filmes, colocando-o como protagonista de suas próprias ações performativas, que lhe rendeu cachês e convites para mais de 15 filmes “sem saber que estava fazendo performances”. Magno: Você cursou teatro ou teve alguma educação formal na área teatral? Vanderlei: “Em Minas eu me lembro de que fiz teatro amador por seis meses, na oficina tinha muita prática de técnicas de Stanislavskynianas, eu tinha 21 anos... 22, e foi ótimo porque aprendi a respirar melhor, falar um pouquinho melhor, porque eu sou muito agitado e me deu esse gancho de chegar e ter consciência de cena, então quando eu fui pra poesia eu acho que me destaquei um pouquinho... então o texto quando eu pego, pra mim é uma partitura, tem a partitura de música, estão ali, as notas, as cifras. No caso do texto, eu faço partitura, como a maioria dos atores faz que é estudar o texto, ver as intenções, eu acabo grafando ele todo, eu meio que disseco o texto, então eu crio uma partitura, porque se eu tô lendo ou não, interpretando sem ler ou lido, eu tenho a partitura, então eu sei onde tenho que subir, descer, dar pausa, correr, parará...se eu tiver direção melhor ainda, mas as vezes eu faço muita coisa sem direção” Magno: O seu trabalho foi um trânsito que passou por várias linguagens, eu vejo que tem artes cênicas, música, arquitetura, artes visuais, poesia, cinema, mas me diga aí: qual é a primeira?Por onde é que você puxa o seu processo de criação? Qual é o ponto que te instiga. Sem isso eu não faço nada? Por onde você começa? Vanderlei: “Eu começo pela poesia, eu comecei a escrever com 14 anos, meu primeiro livro eu publiquei agora em 2017, por uma editora daqui, que bancou todo o livro, não tive que pagar nada, foi maravilhoso! Eu não tive que pagar nada. Este livro me sustentou por um ano, porque eu estava fazendo ‘freela’, e tal... e na época estava sem muita coisa, eu estava revendo tudo o que eu estava fazendo... eu não queria pegar edital que não tinha a ver comigo, um monte de coisa, não foi crise, foi uma coisa de querer me reinventar também, eu tinha saído em outras coletâneas também, este livro me sustentou durante quase um ano, junto com algum ‘freela’ ou outro que eu fazia em festas, me sustentou. E aí, isso é consequência da questão da escrita, porque a escrita permeia tudo. Os vídeos poemas que eu gravei agora, veio a partir de poema, os próximos que eu vou publicar, a partir de poemas, a performance vem a partir da linguagem falada e o corpo vem. Só que também tem performance que eu crio sem a palavra . Que é o corpo vem primeiro, então é o corpo e palavra, quando tem não tem a palavra tem o corpo , mas a palavra puxa primeiro. E quando a performance é mais dentro do método que eu chamo performance pura, aí é o corpo, o corpo que puxa o movimento cênico né? A narrativa do corpo também, eu faço muita coisa sem palavra.” Magno: Eu vejo que você usa o seu corpo como uma tela, é uma tela viva que expressa várias coisas próprias, sua ancestralidade. Você considera que sem seu corpo você não conseguiria atuar dessa forma. Você acha que encontra o seu lugar na arte com o corpo? Vanderlei: “É o corpo, o corpo está muito presente, então seu eu ficar velho, se eu durar muito, eu vou usar o corpo como recurso dentro daquela idade. Então pra mim, envelhecimento não vai ser problema, porque eu vou usar o corpo pra trazer aquele processo de envelhecimento, de desgaste de não ter mais aquele frescor juvenil, que eu possa jogar algumas questões ali. O corpo vai até o fim, a minha última performance eu considero que vai ser a morte. Magno: Você usa o seu corpo como um corpo político, a sua mensagem é dada, ela está no vídeo, no seu corpo, na sua fala, no diálogo com os outros. Você manda esta mensagem para quem? Vanderlei: "Teve muita cobrança comigo em relação ao meu corpo. Eu usei meu corpo primeiro com a intenção de chocar, porque eu não era bem reconhecido – você vai prestar atenção primeiramente no meu corpo. Você não quer prestar atenção no que eu estou falando? Você vai olhar pro meu corpo, porque de alguma forma seu conservadorismo não vai te impedir de me encarar e ver ali o corpo presente, o corpo nu, ou por alguma coisa implícita ali, dita no corpo. E a partir disso, ticou também uma cobrança muito grande de que todas as performances eu tivesse que tirar a roupa ou que estar seminu, e tem uma cobrança de que tem que ter o corpo legal sempre. E ai só que tem um lance aí, o lance de que a genética me facilita neste sentido, eu tenho consciência de que tenho um corpo padrão, tanto é que já participei de semana de moda, de desfilar em algumas semanas de fashion week, mas é porque o estilista foi com minha cara e achou que eu tinha atitude. E já vi gente cobrar, ‘mas você ganhou peso, você devia estar com..., mas eu tô adorando, eu quero ficar adulto, eu não quero ter um corpo de adolescente de 15 anos pra vida inteira. Então tem essa cobrança, e aí quando vem agora para a coisa agora do corpo político, o que eu quero dizer: eu cresci numa família católica, num estado extremamente católico/conservador, é uma forma de me vingar mesmo, de falar olha: tudo isso que vocês fizeram em mim... Eu já me libertei de todas essas teias, de todos esses armários, de todas essas armadilhas e eu sei muito bem aonde eu quero, sem carregar culpa. Eu não tenho fé cristã, então, a partir do momento que eu não tenho essa fé, eu não carrego esse peso de fé, de justificar para alguma divindade inventada, eu já me sinto muito livre, no sentido de tirar o peso dos ombros. Eu não sigo dogma, o fato de eu não seguir dogmanenhum, nem filosófico, nem religioso, nem político; político, alguns, porque ainda acredito em muitas questões formatadas desde a desconstrução político nossa, América Latina principalmente, de que a gente tem que seguir e tirar dessa formação euro-centrista que está sobre nossos ombros né? Chama a gente de novo mundo, como se o mundo não existisse antes dessa colonização europeia né? E aí aonde eu quero chegar; provocar essa gente que vai para Miami, essa gente que acha que oque é bom está em Paris, em Nova York, Berlim. Eu quero fazer uma arte como se eu fosse um índio urbano, só essa fusão do europeu, do africano e do índio, então de jogar essas coisas para o corpo, e usar meu corpo como ferramenta como os índios usam. E quando eu comecei eu tinha essa consciência, depois eu pensei, eu sou um índio também. Um índio não lá da tribo que está no espaço dele, mas um índio urbano, no sentido de que eu sou miscigenado enquanto brasileiro e sou minha família tem parte que são pessoas de Portugal e gente negra, e tinta. E índio também, descobri isso. Então sou esse índio urbano e que vou usar meu corpo pra mexer exatamente com a moral, moral cristã, quero mesmo! Eu quero apontar o dedo, jogar isso tudo no ventilador e jogar na cara,se tiver incomodado que saia do teatro, que saia do cinema, que saia da performance, quem estiver assistindo, mas ao mesmo tempo eu não quero ser agressivo, eu quero seduzir primeiro. Primeiro eu seduzo, a minha arte é muito sedutora, eu sei disso. Então eu aprendi isso, eu não tenho que já chegar dando porrada, dando voadora. Você não a porta do inimigo falando que vai espanca-lo. Primeiro você deixa abrir a porta e depois você faz seu jogo, você tá entendendo? No fundo também é uma coisa calculada, é um pouco calculado o que eu faço. Aonde eu quero chegar, em qual local que eu vou jogar isso, em qual local que eu não devo e que não vai atingir. Magno: Pedi para que Vanderlei falasse sobre o conteúdo do último vídeo clip que ele me mostrou ainda em edição, produzido por ele para a Banda Talo de Mamona, e que será lançado em novembro próximo. "O segundo clip que produzi para o Talo de Mamona é de uma música minha e os meninos fizeram o arranjo para a música e tal, que é um canto falado percussivo ali também. Eu quis criar esse clip, eu brinco com a palavra pornografia. É pornô-pipoca, pornô-rasgar, pornô-pisar, porque as pessoas tem um negócio muito cheio de dedos entre erotismo, sensualidade e pornografia, e isso tudo ainda não está muito claro nem para os teóricos, nem para os que estudam isso a fundo. E eu não separo uma coisa da outra, pra mim o corpo é erótico, é pornográfico, é desejo porque a pornografia às vezes vai pra um lado muito depreciativo, porque a pornografia não tá ligada só ao corpo, é tudo o que é muito vulgar na linguagem, na ação é pornográfico também. Só eu isso não está muito definido dentro dessas formulações filosófico-teóricas. Então eu não separo muito erotismo de pornografismo e do grafismo. Então eu quis brincar com palavras pornô, pornô-rasgar, pornô-pisar, pornô-lamber, porque morder, porque morder tem um pouco de pornografia no mamilo. Pornô lamber o ouvido é uma pornografia também, que te induz a uma libido ao ato. E aí nesse texto eu quis fazer uma coisa mais assim que realmente incomodasse. Eu não estou fazendo sexo explicito ali, a gente quis sugerir que a gente pode fazer sim se a gente quiser porque a família brasileira, latino-americana,ela fica vestindo suas máscaras sociais, suas roupas sociais, seus trajes, mas tá se pegando, tá cometendo pedofilia, fazendo um monte de coisa por traz da fechadura e continua fazendo aquilo, e nega a pornografia. E aí eu quis falar nesse sentido de falar, eu acho que existe, quando chega o carnaval , é cara que é misógino, vai se vestir de mulher, vai por roupa de dormir de mulher, põe fio dental, e tal, mas se alguém passa fora dessa coisa do carnaval... Passa uma trans, se passa uma mulher de shortinho curto, ele tá jogando pedra, ele tá tirando, tá jogando pedra. Então eu falei não, eu quero fazer uma música que mostre que descaradamente eu vou falar de pornografia, junto com a linguagem do grafismo, junto com o neologismo da língua portuguesa né? E tal... Mas é pra falar o tanto que a gente é hipócrita, a humanidade é hipócrita e a gente está dentro dessa onda reacionária, tendo que combater isso, no sentidoque a gente vai se fechar pra isso, não vai. É porque muita gente que estava calada agora está se mostrando mais né, então, a intenção é isso mesmo, né é de jogar uma pornografia na cara dessa gente... Dessa gente mentirosa, hipócrita que está fazendo tudo por detrás da fechadura ou espiando né? Sendo um normal;de tudo ali né? Mas que depois se fecha ali. Cidadão de bem não é? A gente faz a cara pra jogar na cara do cidadão de bem né? Do bem mesmo, de bem, do bem, de bens.O cidadão de bem geralmente está atrelado aos cidadãos de bens." O trecho da entrevista que segue foi gravada somente em audio: Magno: Como você está se reinventando neste estado de pandemia com o seu trabalho de performer e poeta e de como você está dialogando com a sociedade? Vanderlei: “A performance exige coragem, você está, seja no ambiente público ou no risco que se você estabelece do corpo, para o corpo, para o ambiente cênico que você escolhe fazer. E aí eu gravando alguns vídeos atuais que eu vou publicar futuramente no próximo mês. Teve um dos vídeos que o fotógrafo/cineasta cagando de medo de altura; ‘cara eu não vou descer aqui, dois metros de altura pra gravar dentro desse riacho dentro do Parque Olhos D’Água’, eu falei não ‘eu carrego você nos ombros porque você vai descer, porque eu preciso dessa cena porque ela vai ficar incrível, já consigo visualizar ela inteira na minha cabeça’. E aí eu quase puxei ele a força, mas não puxei ele a força porque eu convenci com meu jeitinho, mas se ele não descesse, ele ia descer porque eu ia empurrar ele, eu te jogo lá embaixo e você vai fazer! E aí foi lindo...porque assim, a performance exige isso, tem que coragem, tem que ter muita coragem e determinação. Se eu tiver que escalar 10 metros pra fazer percurso...eu já fiz isso! Gente me fotografando em Ipês, tem uma de Ipê que eu tive que escalar, pessoal cagando de medo...gente falando, você cair, vai quebrar! Não vai! Confia em mim, que é isso que eu quero fazer e vai rolar sim! E aí teve outro vídeo, agora gravando com a Jú Ataíde, poeta e cantora de Natal-RN. E um vídeo que fala sobre a rodoviária de pessoas simples, que sonha, e aí eu criei um conceito que é: ela sempre com uma faixa de trabalhos pouco valorizados pela sociedade, chama-se “ Trabalhos Subalternos”. Então ela foi de rainha mas a faixa, que ela foi condecorada, ao invés de ser Rainha do Bairro, do Milho, do Brasil, Miss, ela foi de doméstica, de cozinheira, faxineira, várias faixas...era um desfile, ela ia pro trabalho e voltando, e eu pus um rosto, comprei um rosto sem rosto, uma cara que o rosto não tem definição nenhuma, que são pessoas invizibilizadas pela sociedade. Aí eu fazia o que era mais abaixo ainda disso... que é o trabalho informal, que é o engraxate, o flanelinha, o guardador de carros, o camelô...e eu era condecorado com isso , e o corpo todo desenhado em números, sem ter nome e nem rosto, tendo números... Números no corpo e essas condecorações que a sociedade: Ô engraxate! Você não tem nome, Ô Camelo! Ô Flanelinha! Você tá entendendo? E ela ia saindo de uma pirambeira - a gente gravou no alto do morro do careca - ali perto do lado Lago Paranoá, uma visão belíssima do Plano Piloto, aquele horizonte lindo para a área rica de Brasília, ela surge do morro, ela vem e eu vou, então a gente só se cumprimenta, a gente tá andando com aquele sol de rachar, a gente quis gravar num sol bem quente, tipo 11h30min da manhã. Ela passa por mim e dá só um aceno de mão. Até cumprir todas essas faixas, depois tem uma cena em que a gente tem que dançar sobre pedras, carvão e pedras, que tinha uma fogueirinha lá... um negócio com carvão e pedras, acabou com nossos pés! Mas é isso, a gente tem que passar por dificuldades. Esses pés que ela fala meio languidos, meio com dificuldade tanto dessa labuta, então eu quero passar isso na cena, então é pra doer... Ela: ‘Ai... mas tá doendo!’ eu disse: Tá! É pra doer mesmo doendo mesmo, porque é performance, tem que passar, porque performance não é encenação exatamente. Teatro você constrói o personagem, performance é uma coisa mais ritualística né, então você acaba vivendo mais isso, porque é mais vivência do que encenação,do que interpretação. E então, tivemos que andar sobre essas pedras, machucando o pé. Estava machucando, estava! Mas eu tinha que passar essa sensação. E aí a cena final que ela sonha com vidas...a gente foi nadar no lado, uma cena de perspectiva da água, de perspectiva.E pra descer até o Lago, ao invés de eu pegaro caminho legal, que tinha estradinha e dar a volta, eu não! Vou descer pelo meio do mato, que a gente já atravessa essa área de cerrado e campo, que eram árvores baixinhas, com pedregulhos, braquiária, uns 300 metros disso. Eles morrendo de medo, eles nunca andaram no mato, e eu falando vamos andar é isso! E fui assim, eu na frente puxando! Venham, venham, venham, é isso! Vai dar certo! Chegando lá, ela com medo de nadar, ela afundar! Eu disse não, você sabe nadar, vai dar certo! E deu certo, é isso que eu quero dizer, coragem! Performance exige coragem! Magno: Vocês fizeram isso e gravaram? Vanderlei: Tudo gravado, só essa decida que não, a descida até a próxima tomada do lago não, mas a dificuldade da galera de enfrentar isso em campo né? Magno: Então foi uma performance que foi filmada, que será editada e vai ser vista por vídeo, havia público? Vanderlei "A gente conseguiu uma área isolada que não tinha ninguém, mas eu gosto de fazer performance ao vivo, eu gosto de performance com público, essas coisas de vídeo estoufazendo agora, e estou amando, com esse período de pandemia, que me trouxe fazer letras de músicas pros outros, criar vídeo-arte, se reinventar dentro disso, soltando a casca... Ao termino da entrevista fomos ate a SQN 207, superquadra da Asa Norte que pertence à Universidade de Brasília para colher cagaitas (fruta típica do Cerrado de sabor ácido e bastante suculenta) que estavam em plena produção e conversar sobre a cidade, os habitantes, a vida e coisas da roça e cidade ossobre um lindo poente da tarde de primavera brasiliense. E a conversa não parou por aí...

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