Entrevista com Nei Cirqueira.

 


Nei Cirqueira é ator, performer, diretor e professor. Natural de Brasília. Se graduou em Licenciatura em Teatro (2008) na Universidade de Brasília – UnB. Possui especialização em Direção Teatral pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes – FADM (2018). É um dos membros fundadores da Coletiva Teatro (2015) e do Teatro do Concreto (2003), grupos através dos quais têm tido a oportunidade de investigar os meandros da criação teatral em coletivo. Entre seus temas de interesse, pode-se destacar a pedagogia teatral, o público como agente compositor da cena, a crítica de processo / crítica genética e teatro, o teatro performativo, a dramaturgia do ator e ação social.

 

1.     O que é vulnerabilidade para você?

Para mim vulnerabilidade tem a ver com a pessoa se sentir frágil de alguma forma em uma situação em que ela não tenha total controle do que tá acontecendo e por isso ela se sinta exposta.  Tem a ver com o estado mais sensível também de relação né, com o mundo a sua volta.  Então vulnerabilidade para mim é isso.

 

2.     O que te deixa vulnerável em processo artístico?

Acho que muitas vezes o dialogar com os colegas de criação envolve uma certa vulnerabilidade quanto a vulnerabilidade né, quando eu preciso colocar as minhas ideias, quando eu preciso me posicionar a partir das minhas escolhas criativas na relação com os outros criadores. As vezes um retorno negativo para algo que eu criei e na minha concepção estava muito bem formulado e aí o retorno que eu recebo dos meus pares me mostra que não tá tão bem formulado assim de alguma forma eu acho que isso me deixa vulnerável num processo artístico também.

 

3.     Para você a vulnerabilidade é algo que ajuda ou atrapalha nesta fase do processo?

Eu acho que a vulnerabilidade... eu acho que depende!  Depende muito da relação estabelecida entre os criadores, se é uma relação de respeito, se é uma relação positiva, se é uma relação de estímulo... então aí eu acredito que a vulnerabilidade ela ajuda, agora do contrário eu acho que a vulnerabilidade pode atrapalhar e pode inclusive comprometer o desempenho deste artista vulnerável.

4.     Você abriria sua intimidade pessoal para alavancar e potencializar a exploração de um material cênico?

Ainda de acordo com o que eu penso sobre a questão três eu abriria minha vulnerabilidade em um processo artístico desde que eu me sinta em um clima de positividade de relação positiva entre os criadores.

 

5.     Você dividiria segredos/histórias de família para alavancar e potencializar a exploração de um material cênico?

Sim. Eu dividiria sim segredos e histórias de família para alavancar e potencializar a exploração de um material cênico, sim. Ainda dentro do que eu acredito ser uma relação de respeito entre os colegas de trabalho né, e acredito que isso geralmente é mais possível em contextos de criação em teatro de grupo aonde a perspectiva criativa e relacional, ela tende a ser mais empática e engrandecedora para todos os envolvidos.

 

6.     Acredita que a vulnerabilidade potencializa o ser/ estar criativo em você?

Eu acredito que sim eu acredito que a vulnerabilidade potencializa o ser estar você estar criativo num processo artístico sim porque cantando à sua aldeia que você se torna universal, então quando a gente tem um espaço criativo de muito respeito de empatia é... e alteridade e também de humildade nas relações pessoais a gente consegue olhar para as nossas fragilidades e enxergar as potências que existem dentro dessas fragilidades, e com isso transformá-las né. Um material artístico criativo original é potente enquanto arte porque tá discutindo questões muito caras ao ser humano né. Eu acho que a gente investigar as nossas vulnerabilidades, as nossas fragilidades significa também a gente refletir o que há de mais humano na gente. Então eu acredito sim que a vulnerabilidade pode potencializar o fazer artístico.

 

 

7.     Você possui algum ritual/ treinamento para se colocar em estado de vulnerabilidade nesta fase?

Essa é uma questão que eu ainda não pensei muito sobre, mas eu acho que sempre que um processo criativo me possibilita olhar para as minhas entranhas e investigar as minhas entranhas, as minhas fragilidades, ela ele me abre possibilidades ritualísticas também né, pensando o ritual como essa busca do sensível em mim.  Mas eu não sei se tenho efetivamente um ritual específico, um treinamento específico para para me colocar em estado de vulnerabilidade.


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