Entrevista com Glauco Maciel
https://youtu.be/8-xdnkZLGoA
Guilherme: Gravando. E aí Brimmo, como é que você tá? tudo bom?
Glauco: Tudo bem, tudo certinho.
Guilherme:Esse é Glauco Maciel...
Glauco: Boa noite. Como está o ruído para vocês? O meu ar-condicionado tá atrapalhando?
Guilherme: não tá não, tá perfeito. Glauco Maciel é músico, sonoplasta, radialista, comunicólogo pela Universidade Paulista é especialista em cinema linguagem audiovisual pela Estácio de Sá Rio. É, também, produtor musical, trabalha como servidor técnico da Universidade Brasília no estúdio de sonoplastia do departamento de artes cênicas e como professor de sonoplastia na faculdade dulcina de Moraes. Minha primeira pergunta como é fazer tanta coisa, cara? quais diferenças e semelhanças nesses processos criativos?
Glauco: O recurso audiovisual...Não tem como você pensar no audiovisual e sonorizar audiovisual ou sonorizar algo artístico, assim, ao meu ver né, é a minha opinião, com o tempo que tenho de trabalho, não tem como se você buscar nas fontes do cinema e do teatro, principalmente do teatro, por exemplo, tudo do que o que eu faço assim, eu sempre tenho uma cola de um diretor importante (Cola refere-se ao modo de copiar, exemplo: colar na prova). Alguns diretores importante para o compositor, tipo Hitchcock e suas colagens maravilhosas do Bergman tem coisas muito legais que você pode pegar do Bergman, por exemplo, de Persona se você for deixar ela sem som é quase 5 minutos só de fotografia, né? E quando você coloca a trilha por cima você tem uma puta intensidade nas imagens, mesmo parada. Essas coisas legais outro cara que é legal é o Fritz Lang também trabalhava muito com essa questão de despojar naquela época á naquela época tinha as coisas dele bem legais sonorizadas mesmo assim né
Guilherme: Eu gosto muito Fritz Lang!
Glauco: Eu por exemplo fiz uma oficina uma época atrás em que nós fizemos a sonoridade do Mariá aquele laboratória foi muito bacana.
Guilherme: Tenho uma pergunta para fazer para você, quais as pessoas da tua vida, pessoas que passaram, mestre, como é que foi a sua trajetória?
Glauco: A minha base mesmo foi Fernando Villar e Jesus Vivas. O Jesus, Assim como o Fernando, tinham muita referência de música e teatro. Jesus me ensinou aquelas coisas de sonoplastia, de fazer chuvas, essas coisas...e o Fernandão foi mais da referência musical, Fernando vai de punk a música clássica, é muito legal. E nessa época, assim que eu entrei pra UnB eu fui trabalhar com o Conrado, não tinha técnico no estúdio, fui trabalhar com ele e com Jorge Antunes, fui fazer uma matéria com ele OBM, Oficina Básica de Música com o professor Terraza. Infelizmente não peguei com o Conrado mas o terraza era maravilhoso, ele afinava mangueira, cortava a mangueira achava a oitava, fazia coro com mangueira essas coisas todas. O conrado já foi de outro jeito, assim que eu entrei pro departamento de cênicas ele estavam acabando de montar Medeia. Aí a Helena Barcellos tinha pedido pra comprar um Gravador Fostex eu, como músico, conhecia do estúdio mas não tinha metido a mão. na minha inocência, eu achava que era só a gente botar e tudo certo. não! o buraco é mais embaixo, essa coisa precisa de som mesa de som, essas coisas. Hoje em dia (as gravações) são assim mesmo tem as placas você liga as placas né, daí resolve a sua vida. Mas assim, hoje você abre 120 canais numa DAW tranquilamente. Mas na época não, cara. Gravador de rolo mesmo, esse gravador de quatro pistas da Tascam aí eu falei com ele e Comecei a ler manual. uma coisa que aprendi na minha vida foi ler manual, meu inglês é de manual. e aí o que rolou… aí eu comecei a entender como funcionava a música, conheci o Vinícius, que era um músico, um puta compositor, músico da odiana banda, aquela banda zen de Brasília e ele trabalhava com o Conrado aí ele falou:Cara, vai lá conhecer o Conrado, vai lá conhecer o pessoal. Aí o Conrado me viu fazendo um som pra professora Iraci, o reitor era o Ibanez, reitor em 91. Aí ele me convidou pra trabalhar com ele, aí quartas sextas de manhã eu ia ficar com ele no estúdio ajudando o professor com montagem. Aí eu aplicava as provas pros alunos, eu ficava com a chave de energia na mão e perguntava: Pode ligar? aí o Conrado respondia sim e não se ele dissesse não o aluno era reprovado porque ele queimou a mesa de som hahahhah. A mesa do conrado quem fez foi ele, ela era 90 volts tinha um transformador que era duas pessoas para carregar. Aí era isso, ensinar os alunos um sistema de som para a gravação, e era do zero. Foi como minha prova, Minha prova era assim, eu sou técnico audiovisual, e quando eu entrei na UnB a prova foi assim, eu tinha que ligar vários equipamentos pra ligar um projetor de slides na época… Você Sabe o que é um projetor de Slides? São aqueles fotogramas pequeninhos que você pode montar várias coisas… aí tinha que montar um monte de coisa. Na prova de rádio eu mandei super bem,Tinha que ligar uns amplificadores antigões, aí quando fui pra prova de vídeo, aí o cara que hoje é meu amigo me perguntou: você sabe o que é isso aí? Você já usou? eu respondi: é uma ilha de edição, nunca usei, então ele perguntou: você bota pra funcionar? eu disse: boto aí botei, mas quando chegou no último cabo aí, eu tinha uma manha para saber se o cabo estava funcionando ele me deu um cabo quebrado de áudio para ligar o último último Tec deram três tec né aí eu cheguei para ele e falei: tá bichado esse aqui. Ele falou assim: Mas como você sabe? eu peguei um outro cabo específico e funcionou né... Aí ele: beleza. Aí, desse tempo pra cá eu comecei a trabalhar com essa galera aí, foi o Hugo Rodas aí fiz o olho fechado eu sou da primeira galera que trabalhou com corpos informáticos né eu fui eu fiz câmeras algumas vezes lá fiz o som dele teve um trabalho do corpos informáticos que eu fui operador de videocassete você não acredita hahaha, era uma exposição E assim a exposição tinha várias televisões de cabeça para baixo e eu andava com controle remoto mas eu tava no meio da galera aí eu tinha o controle remoto e a galera tava assistindo filme na boa eu ia dar uma pausa hahaha eu tinha que pagar meu pão e meu aluguel… Mas era muito legal. Aí nessa brincadeira foi… fui andando com o conrado, aí o departamento de artes cênicas na época já do Fernando começou a querer realmente montar um laboratório, um estudiozinho aí gente uma salinha salinha de depósito de livros que aí a gente faz um desenho simples lá no prédio de baixo e fizemos uma coisa simples de vídeo e compramos a primeira mesa de som, a mesa de 4 Canais atacando E daí que a gente tem muita coisa muita coisa é cometa cenas cenas
Guilherme:eu fiz muitos.
Glauco: Todas as peças que saíram da cênicas foram montadas a sonoplastia comigo né e as dúvidas que eu tinha procurado meus amigos de fora né que era o Aldo que era professor foi professor da escola de música hoje mas ele foi professora muitos anos da Dulcina foi formado no Dulcina, né.. Ele é o sonoplasta que hoje eu respeito. Se você falar que não tem sonoplasta em brasília eu digo tem o Aldo e tem o Pardal meu amigo da Radiobrás, ele se aposentou, mas assim é uma referência para mim..então esses três caras o Conrado que é referência mesmo… e esses dois caras de mercado que era o Aldo que me trazia essa perspectiva sonora né, foi até o Fernando que me indicou procurar o Aldo na época e o Pardal Pardal foi ele foi aluno do departamento de artes cênicas ele não formou no final ele travou na licenciatura ele não conseguiu escrever o TCC e desistiu mas é um cara que tava com a vida resolvida aquela coisa não quer fazer aí ele desistiu. É um sonoplasta maravilhoso assim que tem referência ele trabalhou em AM e FM cara porque eu acho que o cara só pode se considerar pasta eu eu nem me considero isso não só pode se considerar sonoplasta, eu nem me considero isso não... quando ele vai para rádio AM na rádio você conversa com o cara lá no Amazonas que na época não tinha telefone você conversava o eu de cá você de lá e ele fazia de cavalo fazia aquelas novelas então ele tinha várias traquitanas, eu tenho poucas... Você perguntou aquele dia se eu tenho mas são poucas perto desses caras então se ele fez isso. Ele fez uma caixa quadrada e tem vários toquinhos dentro dessas partes quando cada toquinho um quadrado. Sabe joguinho futebol pessoal não bota aqueles pauzinho (pebolim) só que eles botam na corda só que com várias cordas com vários toquinhos e quando você fazia *crack crack crack. bicho é uma cavalaria velho! os caras assim tinham porta pequeninha *tchec tchec, tchec tchec. Uma porrada de coisa… Essa galera da AM fazia som de verdade! E o pardal pegou essa galera dos anos 50 e 60 já aposentando na radiobrás eu conheci um técnico lá, Luizinho se não me engano que ficou surdo porque ele foi montar a radiobrás lá do amazonas e tomou um choque na instalação e ficou surdo, e foi demitido depois. A saúde dele ficou debilitada por conta desse trabalho, caiu um raio lá na instalação de rádio lá do amazonas e ele ficou surdo só que o cara operava o som pelo VU velho!
Guilherme: Como assim?
Glauco: Pelo VU ele sabia que o som tava bom...é uma noção maravilhosa. Aí o pardal falou: não ele tá aqui, tá pra aposentar… mas o cara foi demitido a Radiobrás quando virou tipo dos correios ela pode demitir os funcionários, cara… um cara que veio pro início de Brasília, viajou, morou dentro do mato… porque era no meio da amazônia mesmo… a Radiobrás é uma das empresas com maior potência da américa latina Você pode comunicar com as pessoas no Peru pela Radiobrás a AM sobe mesmo… e você demite o cara depois de 30 anos de serviço é muito maldade! Só porque entrou fulaninho que era político de Fernando Henrique, sabe? é triste
Guilherme: É triste demais…
Glauco: é isso, cara...
Guilherme: é mas falando de coisa boa... me mostre umas tralhas tuas? mostra umas tralhas aí que você tá mexendo nos últimos tempos? mostra teus apitos que que você tem aí de bom?
Glauco: eu to na onda da sensibilidade. Vou brincar com teatro pobre, meu microfone tá longe pra cacete! Olha onde ele tá?! ainda derrubei o outro. Mas veja aqui, são dois sons *demonstrando o som 1: ele é um som grave, de marcação rítmica (uma caixa de alfinetes) *demonstrando o som 2: é um som mais agudo, de marcação rítmica (outra caixa de alfinetes) *demonstrando o som 3 um som médio em relação os outros dois. (outra caixa de alfinetes
- Essas afinações maluca são coisas que a gente vai criando outra que é legal *demonstra um som um som muito agudo, um pote de vidro cheio de bolinhas de gude. - Mas quando você molha o vidro *o mesmo pote com bolinhas com o vidro molhada demonstra uma sonoridade bem mais grave. - eu afino os copos também, com água e vinagre.
Guilherme: e vira vício né? ficar caçando sons…
Glauco: vira, você tira som de tudo. Você fica meio Hermeto Pascoal de repente, fazendo as coisas. Porque, assim, uma chuva de bolinha de gude é mais pesada que uma chuva de arroz, só que o arroz tá caro ahahahahaha
Guilherme: Avisa pro diretor que na peça agora é tempestade…
Glauco: Mas assim, a chuva eu faço nesse negócio de carro aqui, coisas que saio catando no meio da rua. Uma bacia de óleo de freio. Aí você põe as bolinhas aí dentro,e coloca e faz as sonoridade que você quer nesse meio. Mas descobri que o arroz aqui fica melhor e
pessoal também faz com pandeiro, né. Eu uso o pequeno. Aí eu tenho aqui, também, um cavaquinho desafinado ele é de 74 e ele é trans, ele tá com corda de ukulele e afinada em dó. Eu tenho um pandeirinho pequenininho pode botar as coisas aqui dentro e é couro, é bem melhor bem melhor trabalhar com couro. tem muita coisa aqui esse instrumento aqui perto da viola. Viola caipira é um instrumento que todo sonoplasta precisa ter. *toca a viola. E esse instrumento aqui eu não sei o nome, é uma percussão tá em sol. Quando a gente chegava no festival que a gente foi cada um recebia um bixo desses. Aí o maestro guiava, tem varios sons, uns mais grave, a Nitza ganhou um gigantão. São todos eles parecidos e todas com essa sonoridade, aí os meninos me deram o deles né, e eu achei legal esse aqui. Esse aqui é o Buzuki tesoura, é um instrumento afinado em ré mi ré ou quer dizer aqui para nós pobres dá pra a gente tocar Legião Urbana. Ele é o mesmo mesmo esquema da viola caipira, são cordas, duas agudas e oitavada. *toca mais. É bem bem esse aqui é um instrumento para tocar com tudo. Eu eu tô usando a versão que eu tô fazendo agora, dá pra tocar blues com ele, porque é afinação aberta, isso é tudo na vida de um sonoplasta.
Guilherme: Brimmo, se você me mostrar as tralhas pra sempre a gente ficaria aqui pra sempre.
Glauco: Pois é, cara… não quero te incomodar.
Guilherme: Incomodar, de forma nenhuma!
Glauco: Só ouve esse pirapito *toca um apito de êmbolo.
Guilherme: hahahaha Isso é muito bom! Processo! Me fala um processo que deixou o Brimmo feliz?
Glauco: Muitos deixaram… tudo depende..
Guilherme: Me fala o mais!
Glauco: Eu descubro logo no início do trabalho, Guilherme. Se eu vou fazer uma adaptação, por exemplo, o Gil Camargo fala muito disso aqui nesse livro *mostra o sons e cena. Quando o diretor deixa você criar. Fazer sua versão, acho que é legal isso. Quando você pode, e no mundo da pesquisa, na UnB dá pra você pegar um trabalho do zero e acompanhar. No grupo da Nitza, mesmo na pandemia a gente continua pesquisando e se encontrando. E produzimos várias coisas já. Ontem mesmo terminamos um, e mês passado outro. Aquela história da minha viagem de som.
Guilherme: Conta mais sobre essa viagem?
Glauco: Calma! primeiro eu vou falar desse processo! que foi muito legal fazer. A experiência que tive lá nos Estados Unidos, foi bem legal. Fui o primeiro servidor da esfera federal, assim de universidades que que saiu para residência artística. FOram 25 dias lá e a gente apresentou o espetáculo e fizemos o espetáculo em 15 dias. E assim cara eu não sei inglês não sei mesmo
Guilherme: Lê manual!
Glauco: Leio manual, que é uma maravilha! Eu sou assim, não deixa eu ver não que se eu ver eu aprendo hahahah
Guilherme: hahahah
Glauco: Mas eu entendia uma coisas, por exemplo, caco de ator você vai entender aqui e no Japão! e o ator é previsível, às vezes, e eu só tinha trabalhado uma vez num espetáculo que a gente tinha luz, som e cenário montado. Foi um mês trabalhando, foi dos irmãos Guimarães com Hugo Rodas, Viúva Porém Honesta , tivemos o teatro a nossa disposição. Foi a única vez aqui em brasília, a outra vez foi na universidade do texas eu usei tudo que tinha a minha disposição. o professor Michael, ele toca violão, ele tinha um folk legal, tinha um ukulele legalzinho e tinha piano elétrico da Roland. Mas eu falei para você não toco piano eu só fui nas pretas que aí você não erra. Aí era o dózão e ia nas brancas pra quando precisasse de algo mais tranquilo, uma coisinha mais light. Aí eu ficava dó mi sol hahahha aí o que que rolou, era um processo de viewpoints que tinha uma sonata familiar, tinha uma coda no final e eu tinha que brincar sonoramente com os atores. Eles me provocavam e eu provocava eles. O Michael disse que legal que você aprendeu a vestir o ator com música. Foi 15 dias e a gente montou o espetáculo, só foi uma apresentação, mas tava estava bem cheinho assim. Foi uma outra linguagem e você propor sons pra eles, foi bem legal. Foi uma experiência que todo mundo deve ter.
Guilherme: Esse processo foi muito massa, pelo que eu pude acompanhar de longe, com você me contando parecia muito bacana.
Glauco: O que me salvou foi eles terem esse violão lá. E qualquer microfone que eu pedia eles tinham pra me passar. O sistema quando eu cheguei tava mono, mas como eu já mexi muito com PA eu fui montar o som estéreo. Tinha 4 caixas de teatro, e todas tavam com cabos pra mono. Aí eu falei: vou desplugar tudo isso aqui. Aí o menino disse: você tem certeza? eu disse: Tenho! Eu sei fazer. Aí era uma mesa analógica super boa. Aí uma dia eu cheguei e o microfone não tava funcionando. aí eu fui lá e comecei a soldar. Aí o menino chegou: você tá soldando? eu falei: Tô. Aí ele falou assim: tem uma pessoa só para isso. Aí eu disse: no Brasil a gente troca chuveiro chuveiro, faz tudo! hhahaha. Aí acabou que o cara veio com um cabo novo e o microfone era um SM51 microfone da Shure Preto você usar Shotgun para fazer foley é melhor coisa do mundo! Tem que ter o médio, o grande e o curto. As pessoas acham que é só porque é chique. Mas não é. É necessário.o grande é para distâncias longas mesmo... Cada um tem o seu ouvido.
Guilherme: tem uma peça, que o cara faz a trilha inteira com microfone shotgun dentro do palco, depois te passo.
Glauco: Uma coisa que eu quero experimentar, desde a época que eu aprendi a microfonar com o Conrado, eu comecei a estudar a técnica do ortf que é uma técnica francesa de captação. Cara, os caras botam 4, 3 microfone em cima do teto três microfones omnidirecionais tipo esse aqui *mostra um microfone omnidirecional. no teto e eles captam toda a orquestra aí eu queria fazer essa experiência mas era usar esse sistema ortf essa montagem do jeito que eles fazem mas eu queria usar 5 microfones pra quando fosse fazer uma peça com muitos atores em cena, por exemplo, peça da Rita Lee que a Felícia fez ela precisava demais precisava demais desses sons assim então eu acredito que com 5 microfones bons, ou medianos, por exemplo, com microfone básicos você consegue fazer fazer uma sonoridade legal, sem precisar de ter um técnico lá, vamos dizer assim, mas nesse caso que você falou era mais uma performance.
Guilherme: Isso que você falou ia salvar Caetana, por exemplo.
Glauco: Salva demais. Mas Caetana tem a banda, ia ser mais difícil. Mas cara, quando for montar um espetáculo tem que pensar tudo do zero, desde o cara que vai montar o som, até até tudo. Nos estados unidos o gerente de palco, o manager é super importante, o contra regra. Ele é um dos caras mais importantes do teatro. Eu preciso saber onde tá meu pandeiro na hora que eu for fazer o foley. Eu gosto de trabalhar diferente, eu tenho minha ilha de som, eu sei que você também gosta assim. Mas nem sempre dá. No trabalho da RIta, no Sonhares, a gente se movimentava tinha som que tinha que fazer lá fora… aí era levar os equipamentos, tinha todo um mapa pra saber onde tava cada efeito.
Guilherme: São as coisas de resolver no dia a dia
Glauco: Eu gosto muito desse livro aqui, que fala do Stanislavski, que ele bota galho de árvore dentro das coisas.o bicho era muito doido! Inclusive o cara que ele mais montava as peças disse que ia escrever uma peça, que não ia ter luz, não ia ter som, não ia ter chuva e não vai ter você! ele botava som em tudo!
Guilherme: Sim! ele botava grilo. O dramaturgo era o Tchekov.
Glauco: Aí veio o Artaud que já veio umas outras sonoridades aí já tinha influência da galera do ruído, o movimento de 1930. É legal, cara. Acho que não dá pra fazer teatro sem som. Não é divertido. Mas agora eu to ligado com uma outra parada, com essa ligação entre som, essa continuidade do som em cena, sacou? Essa afinaçãozinha. você tem o diálogo entre eu e você aqui. Mas, por exemplo tem uma outra coisa rolando por baixo, que vai dar o tom da cena, sacou?
Guilherme: Sim!
Glauco:E, as vezes, colocar esse som limpo, no cinema, por exemplo, a minha voz e a sua voz e monta fica sem graça. Porque não tem o ruído de fundo não tem meu ventilador aqui, sacou? essa costura da cena que quero trazer pro teatro, o César faz isso super bem.
Guilherme: E você fez muito bem isso a pouco tempo, procurando Shopping no natal. (referindo-me a sua última trilha sonora)
Glauco: Difícil foi porque estamos fora da época de natal! Foi complicado hahaha. Minha nova vibe é construção. Os caras começaram a construir aqui em casa, Aí o cara alugou uma máquina de bater cimento, uma máquina maravilhosa! Zerada, reguladinha. Eu falei: vou lá gravar! Fiquei amigo dos pedreiros e gravei. Aí já gravei uma outra que tá desregulada do outro lado. Aí eu quero colocar um baixo agora.
Guilherme: Massa!
Glauco: Porque, assim, eu escolhi o contrabaixo, porque era menos notas pra eu errar! Se eu tenho uma guitarra eu tenho 6 problemas! A viola caipira eu tenho 10! Hoje em dia eu brinco mais… Mas o baixo foi isso mesmo. Era menos notas pra eu mirar!
Guilherme: Com essa frase maravilhosa a gente fechou por aqui! Muito obrigado por essa entrevista! Muito obrigado por isso.
Glauco: Mas você já perguntou tudo que tinha pra me perguntar?
Guilherme: Tudo! era isso.
Glauco: Só porque eu falei da construção você já vai embora?
Guilherme: A gente pode seguir o papo no Whatsapp
Glauco: Beleza!
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