Exercício 1 - Estudos de Textos Acadêmicos - Igor Passos
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NOME DA
DISSERTAÇÃO |
PALAVRAS-CHAVE |
QUANTIDADE DE
ARTIGOS |
QUANTIDADE DE
LIVROS |
OUTRAS
REFERÊNCIAS |
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EXPEDIÇÕES À
DERIVA COM A PEGAGOGIA TEATRAL POR UMA PEDAGOGIA DA INVENÇÃO |
invenção;
experiência; pedagogia teatral; performatividade; educação. |
30 |
33 |
3 |
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A arte da performance na escola
pública: estudos de casos sobre o sentido da subversão no universo escolar. |
Ação
cultural;Escola Pública;Performance;Subversão |
12 |
22 |
14 |
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PERFORMANCES
DESOBEDIENTES COMPARTILHADAS COM CRIANÇAS: DIÁRIO DO PROFESSOR-PERFORMER |
Performance.
Criança. Política. Professor-performer. |
10 |
45 |
15 |
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MÉDIA DE ARTIGOS |
MÉDIA DE LIVROS |
MÉDIA DE OUTRAS
REFS. |
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17,3 |
70 |
10,7 |
LODI, Adriana Ferreira Coelho. Expedições à deriva com a pegagogia teatral por uma pedagogia da invenção. 2016. 228 f., il. Dissertação (Mestrado em Arte)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.
Primeira aproximação:
A dissertação tem como objetivo refletir sobre a
pedagogia teatral como uma pedagogia da invenção. Para tal, a autora parte do
entendimento de cognição autopoiética e de que todos os sujeitos estão em
constante e intermináveis produções de si mesmos. Lodi faz essa aproximação
entre pedagogia teatral e pedagogia da invenção, pois acredita que no teatro
há a desestabilização, a problematização e a invenção de problemas – questões
caras à invenção (KASTRUP, 2007). A autora se utiliza, ainda, de doze anos de
experiência como professora no Espaço Cultural Renato Russo.
Sobre o resumo:
Para demarcar conceitualmente o território em que vai
trabalhar, a autora já nos apresenta, no resumo, os/as pensadores/as que irão
lhe acompanhar majoritariamente: Josette Féral e o Teatro Performativo; Vírginia Kastrup e o
conceito de invenção cognitiva; Jorge Larrosa e o conceito de experiência e
Sandra Corazza e a proposta de uma Artistagem docente. Sobre esse ponto, ao
analisar as referências bibliográficas, percebe-se que para construção
argumentativa da dissertação, houve um trabalho extenso de aprofundamento
conceitual. Adriana Lodi não se restringe às referências apresentadas no
resumo, mas constitui uma teia quase genealógica que a permite um aprofundamento
e embasamento mais elaborado dos conceitos utilizados, como por exemplo, o
conceito de invenção. Kastrup tece o conceito a partir de autores como Maturana
e Varela, Gilles Deleuze e Féliz Guattari, Henri Bergson, assim sendo, no
processo genealógico/arqueológico, Lodi vai às fontes primárias para tecer sua
discussão, o que gera no trabalho um bom embasamento e aprofundamento das
questões levantadas.
O sumário dá pistas:
O sumário nos permite observar a maestria com que a autora desenvolve seu trabalho: são dois capítulos que funcionam como duas paredes e, em cada um, há algumas subdivisões, como sendo os tijolos que formam a parede maior. Os títulos dos capítulos também são limpos e funcionais; pelo título já sabemos nitidamente o que será tratado.
Introdução como território conceitual:
A introdução é nomeada Sobre
a invenção, a experiência e a Aisthesis, ou seja, logo de início já seremos
apresentados e familiarizados com a discussão conceitual, apontada já no
resumo. Entretanto, Lodi não deixa de lado a própria vivência, o que será de suma importância para o desenvolvimento da metodologia de pesquisa escolhida: o método da cartografia.
Constituindo um
território comum, o primeiro capítulo:
Depois de tecer um campo comum conceitual na introdução, entramos no
primeiro capítulo já familiarizados com parte da teia conceitual proposta pela
pesquisadora. Aqui, ela faz um movimento duplo: entre teoria e prática,
buscando em sua trajetória as emergências que a aproximam das vozes conceituais
tecidas. É interessante notar que, como metodologia, é escolhida uma prática
cartográfica. Para esse método, a atenção, o como nos relacionamos, e
a produção de um território comum são questões muito importantes, já que o método
parte da necessidade de uma relação intrínseca entre produção de realidade e
prática de pesquisa: pesquisar não para encontrar uma resposta ou chegar em um
lugar objetivado, mas sim, constituir entre teoria e prática de pesquisa um
movimento de constituição intensiva e de realidade no campo em que pesquisador
e “objeto” se encontram, é um modo de produzir realidades e constituir
subjetividades.
Percebemos, desde a introdução, que o caminho
cartográfico é seguido com domínio. Vemos as transformações e as inquietações
surgindo em uma relação de rede entre teoria e prática. Uma análise qualitativa
e intensiva do que aconteceu no trajeto de vivência da pesquisadora sendo pensado de maneira complexa e não dicotômica, onde a intervenção é tecida rizomaticamente junto à teoria e a própria escrita.
Analisando a trajetória
como emergência conceitual e vice-e-versa:
Depois de tecer as camadas desse
território, a autora se apropria de sua trajetória como professora para, de
maneira quase arqueológica, compreender e, a partir do vivido, nos apresentar a
possibilidade de uma pedagogia da invenção desde a prática teatral. São apresentadas, ainda, algumas discussões conceituais a respeito da ética, estética e pedagogia teatral. E nessa teia, Lodi constrói o campo em que emerge, desde sua trajetória até a teoria, o que ela nomeia como pedagogia da invenção. Tal constituição, tal atenção aos fluxos que foram produzindo territórios não se dá por uma análise binária entre teoria e prática, tentando encaixar uma teoria na prática ou tentando chegar à um lugar pré-estabelecido. Pelo contrário. É na teia tensional entre teoria e prática que acontece e emerge o lugar assentado pela pesquisadora.
ALMEIDA, Rita Tatiana Gualberto de. Performances desobedientes compartilhadas com crianças: diário do professor-performer. 2019. 165f. Dissertação (Mestrado em Artes Cênicas) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.
Resumo:
Já no resumo nos é
apresentado o que constitui o trabalho: a dissertação se constitui como um
caderno de compartilhamento de performances produzidas com crianças de diversos
lugares do Brasil. É apresentada também a metodologia de pesquisa: método
cartográfico.
O trabalho produzirá um percurso
conceitual que parte de constituir uma ideia para o que se entende por criança,
a partir de uma leitura sociológica e antropológica. A performance entra como
possibilidade de pensar o ato de brincar, a partir de teóricos como Schechner e
Renato Cohen. Um ponto central da pesquisa foi observar a desobediência como
potência para criação.
O índice:
A dissertação é dividida
em três capítulos, além da introdução e das apreciações finais: o primeiro traçando
um campo conceitual, o segundo analisando as experiências de criação de
performance com crianças e o terceiro apresenta uma discussão para se repensar
a desobediência. Cada capítulo se subdivide em alguns subcapítulos, demarcando
uma organização conceitual e de análise.
Introdução:
Algo interessante a se
destacar é o modo intimista com que a autora escreve: há uma aproximação entre
leitor e pesquisadora que se estende por toda dissertação. É traçado o caminho percorrido até chegar a pesquisa, além
de apresentar um leque de artistas-pesquisadores importantes para a
constituição do texto. É apresentada, ainda, a pesquisa como uma pesquisa
cartográfica e as partes que compõe a dissertação.
Primeiro Capítulo:
A autora tece um campo conceitual para demarcar o que está entendendo por criança, brincadeira e performance e como esses três campos se relacionam na produção do problema de pesquisa.
Segundo Capítulo:
Neste capítulo, a pesquisadora, a partir do campo teórico traçado anteriormente, analisa a experiência com crianças anunciada já na introdução e no resumo. Nas palavras da autora:
"o relato que lhes apresento neste capítulo apoia-se no método cartográfico, que compreende a importância da processualidade e suas errâncias. Os deslocamentos e suas características errantes surgem na relação com as crianças: elas me proporcionaram uma mudança de ponto de vista acerca do que é um acerto e do que é, de fato, um erro." (2019, p. 53)
No início do capítulo Almeida reitera algumas vezes a prática de escrita como prática cartográfica. Mas ao ler o capítulo me questionei o que o difere de, por exemplo, uma prática etnográfica. Diferentemente do desenvolvimento da dissertação anteriormente analisada, que tece um território-comum entre prática e teoria e não apenas uma análise subjetiva dos fatos, aqui temos uma análise um tanto binária, separatista, objeto-pesquisador, tão criticada, inclusive por Virgínia Kastrup, autora que a pesquisadora utiliza pra embasar seu entendimento de cartografia enquanto método. Pergunta importante: como materializar uma pesquisa cartográfica? Entendo que o processo de pesquisa pode ter sido efetivamente cartográfico, mas como cartografar o caminho na materialidade de escritura da dissertação?
Algo interessante a se pensar, ainda nesse capítulo, é a utilização de imagens. Parece-me que são colocadas apenas como representação, mas pensando uma materialização cartográfica, como utilizar a imagem enquanto escrita, também?
Capítulo 3:
É um capítulo ponto de encontro entre todas as discussões levantadas anteriormente pela autora. Ela o chama de antimanual. Se vale de histórias particulares, de histórias da pesquisa para tecer os quatro passos sobre desobediência. Aqui consigo ver um traço cartográfico mais presente. É possível acompanhar uma movência de um plano, a produção de um certo território que incide diretamente no real. A fronteira entre prática, intervenção e teoria está diluída, não de maneira forçada, mas de modo em que as três acontecem em trânsitos entre si.

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